Eu tinha, tinha mesmo, compulsivamente, que comentar o Mundial...
Começou! Começou o novo Holocausto, o fim do Mundo, o início da expiação de todos os nossos males! Ok... vocês provavelmente conhecem-no por Mundial. Epá... isto é assim: eu até gosto de futebol, tipos a correrem de um lado para o outro em fatos 85% em lycra, e tudo o mais, mas sinceramente... um mês inteirinho de febre futebolística, com tudo o que isso acarreta (bandeirinhas e bandeirolas nas varandas e estendais, enxertos de publicidade com associações ao futebol e pessoas aos berros no Marquês às 2h da manhã) é demais!Confesso, que há dois anos me rendi ao espírito. O campeonato era cá, havia muito turista, havia estádios novos e hinos urbanos, enfim, por alguma razão acabei por me envolver no meio de toda aquela parafernália, mas - chamem-me derrotista - o meu momentaneo nacionalismo desportivo não aguentou a derrota da final e não consigo encontrar forças para me pôr agora por aí aos saltos a gritar: "Portugal! Portugal!"
Para além disso tenho que aturar com os membros masculinos cá da casa a sequestrarem o televisor durante horas. Sim, porque qualquer fã que se preze não se limita a ver o jogo, não, há que ver todas as repetições, as sínteses dos jogos, os comentários, as análises e os eventuais debates de género: "Afinal foi fora de jogo ou nãp?!".
E depois há também aquele síndrome social do "excluir todo aquele que não estiver a par de todos os jogos, lances, remates e penalties do Mundial". Porque será que quando perguntam:
- Viu o jogo? - e respondemos:
- Não... não gosto muito de futebol... foi algum jogo do Benfica? - parecem querer matar-nos! Os olhos reviram, depois ficam estáticos, numa perturbante raiva dardejante e, por fim, lançam um profundo suspiro (daqueles suspiros que vêm bem de dentro, lá do fundinho da alma) e num abanar de cabeça afastam-se, deixando-nos incompreensívelmente perdidos e desconsolados por não conseguirmos alcançar o patamar mínimo exígido a um Ser que queira fazer parte desta sociedade.
O futebol leva os portuguêses a fazerem figuras parvas! É que não são os tremoços e os litros de cerveja que me constrangem (esses são inevitáveis em qualquer altura do ano) é aquele fervor generalizado pela Selecção Nacional. Aquele idolatrar dos pobres jogadores.
Quererá este povo obliterar toda a nossa condição de "País Subnutrido" com cinco ou seis vitórias num relvado? Acreditarão eles mesmo, que, ao ganhar uma taça ganharam também o respeito e os direitos do Mundo que se auto-cataloga civilizado?
Enfim... portuguesisses...
Só espero que desta vez ganhemos mesmo, que é +ara não ter que aturar de novo uma dúzia de membros du sexo masculino em depressão pós-derrota (ou então, também podemos perder logo, que é para ver se ainda consigo assistir ao final da novela, que eu quero saber quem afinal é o filho da Bia...).
1 Comments:
Parabéns pelo blogue, Ana. Além de estar com muito gosto, tem textos teus muito interessantes. Vou voltar cá mais.
Já sabes o resultado das entrevistas em Inglaterra?
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