Pré- e Pós-Derrota, os síndromes de uma sociedade sedenta de heróis
Eu pensava, visto já ter comentado o Mundial, o tema não se voltar a repetir. Enganei-me. Desde já e antes de começar a desancar sobre este meu povo português, queria dizer apenas, que também lamento a derrota de ontem, sei que jogamos melhor e que mereciamos estar na final. Agora só não me peçam para chorar e pedir baixa, porque isso já é algo que eu, ao contrário de muita gente que por aí vejo, não consigo fazer. Voltaremos a este ponto mais tarde.Ora bem... Recuemos uns dias e analisemos a situação que se instalara.
Tinhamos chegado às meias finais. Facto único. Tinhamos sido maravilhosos até aí. O povo vibrava de entusiasmo e espírito patriótico, a televisão bradava anuncios de incentivo à Selecção Nacional, para toda esta gente o Mundo parecia ter posto os olhos em nós, pequeno país no caudal da Europa, e esperar dos Lusitanos grandes feitos. Como já é da praxe bandeiras voavam nas janelas e estendais, bandeirolas agitavam-se nos tejadilhos dos carros, populares moviam-se dentro de t-shirts, tops e afins com a bandeira ou as quinas estampadas ao peito. Gostava de saber o que Luís de Camões diria, se visse toda esta animação e espírito nacionalista. Provavelmente em vez de escrever os Lusíadas, compunha o rap para um spot da Galp.
Chega então quarta-feira, dia 5 de Julho. O dia D das hostes portuguêsas. A espectativa pairava no ar. Contudo, a minha revolta provém, não de um jogo fracassado, mas de cerca de uma hora antes do começo da partida, quando me deparo com algo, que me parecia quase impossível. Ia eu muito bem comprar provisões para o jantar, enfim, ia eu ao supermercado - eram isto, cerca das 19.30h - quando tomo consciencia, de que não poderei fazer essas mesmas compras, porque o dito cujo supermercado - e digo aqui que era o Pingo Doce, em jeito de protesto - encerrava às 19.30h devido ao jogo que se seguia! Como é óbvio nesta terra, as caixas já tinham fechado à uns bons cinco minutos e eu tive que me juntar a um grupo de moradores que se aglomerara à porta, para protestar contra tais despautérios. Fechar um estabelecimento porque a Selecção Nacional de Futebol joga nas meias-finais de um Mundial?! Então e a população que não dá um centimo furado por futebol? Este povo é de loucos! Mas, calma, as coisas não ficaram por aqui. Ao voltar para casa, qual não é o meu espanto, quando reparo, que várias são as lojas e cafés, que, estando encerrados, tinham colados à porta folhetos informacionais, para aviso de encerramento a horas fora do normal, devido ao jogo.
Como não chamar a este país terceiro-mundista? Como?
E depois, lá vem... despois do jogo era só vê-los. Todos cabis-baixos, tristonhos, como se tivesse morrido alguém. Hoje andam todos por aí, com cara de ressaca (e uma ressaca daquelas de se ter bebido para esqecer), com a fronha baixa. Outros gritam vernáculos sem sentido, rogam pragas à Selecção gaulesa. E tudo isto provocado por uma bola numa rede...
Como vêm, aqui tentei resumir o antes e o depois desta derrota. Continuo a achar que jogamos bem e continuo a pensar, que aqueles que esta gente venera tanto, aqueles, que ao contrário das políticas restructurais, é que vão salvar a Nação, ganham mais num ano, do que muita gente ganha numa vida inteira. É triste pensar, que nos dias de hoje ainda se venera uma espécie de aristocracia e ainda é mais triste constatar, que essa mesma aristocracia, para além de (na sua maioria) não possuir o ensino básico completo, não tem também Q.I.'s superiores a 80.
Só me resta dizer: portuguesisses...
5 Comments:
concordo plenamente com a tua critica a portugal e a todos os seus cidadaos patriotas, no entanto temos que admitir que da gozo ver o futebol, e exclente ver aqueles homens de cabeça oca mas com um extraordinario dom de pés a ganharem os jogos e a darem a conhecer portugal ao mundo. Embora eu pense que os cidadãos portugueses exagerem no que é futebol, preferindo ver um monte de homens a chutar uma bolinha do que tentarem ganhar um pouco de moedas para os seus bolsos ou aumentar, nem que seja 0.01%, o seu QI fazendo algo de útil. Fiquei triste com o jogo de ontem, mas não exageremos...Enfim, acho que escreves muito bem e curto muito o teu blogue, obrigada pelo coment no meu!
como tem de ser, concordo plenamente! fora com o estúpido patriotismo fanático, porque, como diz a minha avó, o que é em excesso, faz mal. convenhamos, fiquei triste com a derrota de ontem, mas por isso a minha não acabou... para todos os fanáticos: em 2008, o europeu é nosso!
vou te dar um conselho mas não é pa ficares xatiada!
Resume mais os teus textos e procura meter mais fotos porque se não ficam uma seca!
P!ta
Epa também acho isso uma estupidez. O Futebol só sabe individualizar a coisa. O espírito patriota é triste. Devíamos acabar com as fronteiras a fazer um mundo único porque sem governos a força aumenta e podemos desfrutar de um mundo unido como nas imagens da UNICEF onde aparecem sempre 5 meninos de diferentes cores abraçados como um só.
VIVA A ANARQUIA!!!
(OK isto não teve muito a ver com o teu post mas apteceu-me criticar o futebol e nada melhor como vê-lo do ponto de vista de um anarquista.
(até rimou)
Muito bom post, Joana.
Enviar um comentário
<< Home