sexta-feira, agosto 04, 2006

A Receita para a Felicidade ou Aquilo que deviamos fazer todos os dias, sem pensar duas vezes e sem sentimentos de culpa

Há coisas que de facto nos fazem pensar, se não será apenas por elas que estamos aqui. Razões para acordar todos os dias, pôr os pés no chão e se saber que se está vivo.
Por vezes, por entre o bulício dos dias de trabalho, por entre as dores de alma, do espírito emocionalmente desgastado, somos incapazes de os ver, tão perto estão de nós e nós tão longe deles. Estou a falar de coisas banais, coisas simples, que nos fazem suspirar, que nos tiram o folêgo ou que nos fazem sorrir.
Coisas tão triviais como o cheiro a terra molhada no Outono, o crepitar de uma lareira, um banho de mar ou pão saloio acabado de cozer.
Em retrospectiva vejo um ano pelo qual passei de olhos fechados por tudo isto. Um ano no qual me esfalfei em ansias e paranóias, um ano em que me iludi e desiludi. Quantos dias de luz clara, incidente e contagiante - como o de hoje - terei deixado escapar? Quantas vezes terei negligenciado uma lufada de ar quente, daquele que nos acaricia as feições e nos deixa estonteados, como que embriagados de felicidade?
Perdi milhentas oportunidades de festejar só porque sim, de beber champagne, de conversar até às tantas, de adormecer enquanto leio, enfim, de fazer todas aqueles pequenos rituais que adoro. Mas talvez seja por os usufruirmos apenas de vez em quando que têm o seu encanto. Fazem-nos lembrar bons momentos, fazem-nos viajar no tempo e reviver só coisas boas.
De qualquer maneira, quem não gostaria de reviver todos os dias momentos felizes, ou mesmo de criar novos momentos com cheiros, sabores e texturas já tão conhecidas?
Por isso a partir de agora vou tentar estar sempre perscrutando o espaço à procura daquele cheiro a vela apagada, do suave som do jazz sussurrado e vou passar a não deixar escapar a oportunidade de dar um beijo molhado, de comer Nutella sem culpa, de dançar semi-nua pela casa com a música aos altos-berros.
E assim terei pelo menos conseguido por vezes arrancar de mim mesma um sorriso, um suspiro ou um pequeno baque no coração.