segunda-feira, setembro 11, 2006

"Já não sei ir para casa" ou Como a Inovação é feita e acolhida em Portugal

A cidade fervilha, borbulha, quase que explode. Não apenas porque a maioria dos lisboetas acabaram as suas feriazitas no Algarve e porque o ano escolar recomeçou, mas porque a Carris - a companhia de transportes mais antiga de Portugal - mudou as carreiras, introduzio outras novas e modificou a vida dos pobres utilizadores de autocarros.
Acabo de voltar ao país, para me deparar com o caos que se gerou entre os utentes baralhados, turistas desconfiados e inseguros ao entrarem nos autocarros juntamente com um magote de gente bramindo descontentamentos e funcionários incapazes de manter a ordem.
Contudo, esta história não é apenas mais uma anedota à portuguêsa. Tem mesmo muito mais que se lhe diga. E se há muita coisa que corre mal e me parece absolutamente inusitada, também há outras tantas, que foram muito bem estudadas e merecem, provavelmente pela primeira vez, a minha absoluta concordância e admiração.
A Carris não implantou apenas uma nova rede (a que chama: Rede 7), fez também extraordinários progressos a nível de recursos humanos, estudo do cliente e, muito claramente, a nível de marketing. A Rede 7 está, de facto, bem estudada, estructurada e abrangente. Quis ter toda a informação possível e fiquei a saber, que a Carris efectuou um estudo demográfico e evolucional-urbanístico da cidade de Lisboa, do qual resultam as novas carreiras e as alterações de algumas mais antigas.
Parece que vejo - e parece milagre - os fundos europeus a terem o uso correcto!
Desde bilhetes electrónicos, passando por métodos de identificação dos veículos mais compreensivos, até empregados mais bem certificados, as filas intermináveis de espera e as horas gastas em carreiras que apenas passam a cada quarenta e cinco minutos parecem ter acabado.
Contudo, cheira-me que nesta terra tem que haver sempre algo que estrague a festa.
No meio de tanta inovação a Carris parece ter-se descuidado na informação dos seus clientes. Bem sei que está tudo muito bem explicadinho no site (www.carris.pt), mas ter-se-ão esquecido, que uma grande parte dos seus clientes tem mais de 60 anos e não tem ou não sabe trabalhar com a World Wide Web? E mais, para além destes clientes, há também estrangeiros residentes em Portugal, crianças pequenas e utentes ocasionais, que não andam por certo constantemente a par das alterações da empresa.
Acabei por constatar que a anulação de certas carreiras prejudica muito mais gente do que de início imaginei. Sei, pelo meu próprio bairro, que algumas alterações não foram discutidas com as autarquias afectadas. Apercebemo-nos todos, utilizadores assíduos da Carris, que as mudanças implicam também, por vezes, mais transbordos, mais tempo nos percursos e a não solução do já costumeiro síndrome-das-sardinhas-em-lata, que se verifica nas horas de ponta e nas carreiras mais populares.
Se por um lado algumas carreiras acertaram na mouche, a aniquilação de outras confunde e prejudica muitos lisboetas.
Parece-me também que a informação tem sido mal dada e a altura muito má escolhida, com pessoas a virem de fora, miudos em reentrée e uma temperatura que não ajuda a têmpera de ninguém.
Quanto a mim parece-me, que a incisiva alteração de carreiras tão conhecidas e importantes quanto a do 27 foi algo de demasiado drástico a fazer. O bairro da Lapa, por exemplo, passou assim a ter apenas uma carreira de autocarros (que só faz o precurso interno) e duas carreiras de eléctricos. Facto que deixou a junta de freguesia em polvorosa e que teve como consequencia a imposição de um processo por parte da mesma.
De qualquer maneira posso afirmar, conquanto que de um modo algo egoísta, que as novas carreiras e todas as alterações terão, na medida do possível, as suas agradáveis repercursões em breve. Mas, como tudo o que é novo neste país, são aceites com desdém, cepticismo e má vontade.
Estranho, esta gente que tem a mania dos provérbios e das lições de moral ainda não se tenha lembrado do ditado: "Há males que vêm por bem!"
(e eu concordo)

2 Comments:

At 8:08 a.m., Blogger SUSHISTICK said...

That´s why I drive myself to work! :P

(se bem que as passeatas a pé por Lisboa tb não dignas de crónicas!!)

P.S. o que tem este comentário a ver com o post? Pois, nada! Apeteceu! ehehe)

 
At 10:38 a.m., Blogger Kiii said...

dear Sushistick,
tenho uma pergunta um bocado para o parva, que me vejo obrigada a postar aqui, visto não autorizares comments no teu blog:
"Conhecemo-nos?"
A sério... é que, como tens umas frases em alemão no teu blog fiquei na dúvida se serias da DSL.
Se não perceberes mesmo nada do que estou a falar, esquece lá isso. Obrigada pelo comment (mesmo que aches que não tem nada a ver com o post).
Também andei a bisbilhotar no teu blog e achei-o muito bom! Fico sempre suuuper envorgonhada quando vejo grandes lay-outs e eu tenho um blog super pré-definido! lol
até breve
joana

 

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