OS ÍNICIOS DE UMA VIDA, PARTE II
Sem ter uma primeira parte, o título deste post faz todo o sentido… Porque todos nós temos segundos inícios, segundas chances, segundos começos de vida. Todos nós, algures ao longo do livro que é a nossa vida, viramos uma página para começar um totalmente novo capítulo. É uma das maravilhas dela mesmo, da vida.Ao acabar o secundário todos nos encontramos, invariavelmente, numa encruzilhada desse tipo. As perguntas catapultam-se nos nossos cérebros e somos sobrecarregados com informações e, consequentemente, com dúvidas.
Devo continuar a estudar? Estarei a cometer um erro? Deverei ficar? Deverei ceder? Deverei forçar? Será que dura? Será que me ama? Será que…?
Os conselhos não faltam. São os pais, que nos querem ver a trabalhar (seja na Universidade ou na padaria mais próxima). São os amigos que nos querem para sempre ao pé deles, num bar ali perto ou no mesmo curso que eles. E somos nós, que nos tentamos continuamente aconselhar pelo melhor.
Aprendi, que por vezes o melhor é fazer orelhas-moucas a todos eles. Aos conselhos e às pessoas, mesmo a nós próprios. Por vezes há que fechar os olhos e seguir, apontado o caminho com um dedo, como se fossemos uma bússola viva do nosso destino.
Não ninguém a quem culpar por aquilo que correr mal, nem mesmo a nossa própria consciência, que foi ignorada ao longo do caminho. O que é alias muito plausível, visto a nossa consciência ser sempre um espelho daquilo que os ensinaram e pelo qual nos moldaram ao longo do tempo. Fechando os olhos e os ouvidos estamos apenas a perscrutar os nossos instintos, as nossas premonições. Consequentemente estamos a preparar-nos para uma vida na qual não nos poderemos sempre apoiar nos conselhos dos outros – por vezes até mal intencionados - e temos que nos guiar, meios bamboleantes pela vida.
Se por um lado me sinto uma verdadeira equilibrista, nada me dá mais orgulho do que a noção de estar sobre a corda bamba. Alguns olhares atentos me perseguem. Tantas expectativas e cepticismos postos sobre mim… Mas nada disso tem a menor importância, porque, enquanto equilibrista, estou apenas concentrada na estabilidade do meu percurso. E continuo, com a noção que cada novo espectador é mais um admirador a conquistar.
Quando olho à minha volta, para além do público, há ainda os meus colegas, todos os outros jovens acrobatas, que se equilibram sobre trémulas bolas ou que fazem malabarismos com o fogo. Imagino que não se devam sentir muito diferentes de mim, neste circo. Cada um segue o seu número, cativando e maravilhando o seu próprio público. Somos todos artistas de palco. Seres audaciosos que se lançaram na vida pelos caminhos mais, ou menos, tortuosos. Admiro-os, mas sei, que cada número é inimitável e que cada um tem que seguir o seu caminho.
Assim sendo, volto a focar o meu objectivo: chegar à outra ponta sem cair e nada mais me impede de o fazer como eu quero. Posso até extravasar e, em momentos de pura inspiração, incluir uma pirueta ou um salto, no meio do meu percurso.
Nada me assusta… pelo menos por enquanto. E quando o fizer, relembro-me que já percorri metade do obstáculo e a segunda metade não será diferente, nem mais difícil. E mesmo que o seja, há sempre a bendita rede lá em baixo!
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