quarta-feira, outubro 04, 2006

Resposta ao Post Ante-Anterior

Como as coisas acontecem naturalmente… ainda no outro dia vos falava de como estava algo aborrecida com a minha condição de caloira (não apenas na Universidade, mas também na própria Residência) e já hoje me encontro a falar com várias pessoas, com algumas tendo até uma troca de frases mais animadas (devo este facto contudo a uns copinhos a mais de Merlot; que ainda por cima é um vinho carrascão…).
De qualquer maneira, esta é a prova do que vos estava a contar no outro dia (devido aos atrasos da postagem, há que explicar, que o outro dia era Domingo 24/09, hoje, para mim, é Segunda-Feira dia 25/09), basta abrir-se uma fresta e: Zás! Ali vou eu ao encontro de uma cambada de pessoas novas.
Aqui, onde me encontro agora (Londres, UK) o Mundo parece-me algo completamente diferente. Se em Lisboa podia parecer, por vezes, algo “diferente”, aqui sou, como eles dizem: “rotten normal”. Alguém que passa quase despercebido. Sou igual a todas as outras raparigas e, por muito que isso às vezes me cause um certo desgosto, não deixa de ser apaziguador apercebermo-nos que não somos diferentes de todo o Mundo, apenas vivemos num país algo limitado. Nunca, mas mesmo nunca, me irei arrepender de ter vindo para a capital bretã. Vivo num meio exclusivamente estudantil, onde as ideias e as renovações (entre begees e charros) estão na ordem do dia; onde se discutem ideias, música e artes entre um copo de vinho e uma garfada do pré-congelado do dia. Como sempre quis, estou finalmente no meio de gente, que tanto pode ser absolutamente estúpida, como absolutamente genial! Sei que este facto se deve também, por estar a residir num Campus de uma Universidade de Artes, mas, lá está, era exactamente isso que eu ansiava! Artistas, filósofos, jovens! Pessoas com ambições, com sonhos, sem tabus! Ninguém aqui espera nos próximos cinco anos constituir família… Acabaram de conseguir dissolver-se da sua! São pessoas sem ideias pré-concebidas (ou pelos menos assim o aparentam ser)…
Concluo, que vivi mesmo durante dezoito anos na Bimbolândia… Adoro-a, mas eu quero, eu preciso, de muito mais. A luz, o Tejo, as pessoas, tudo isso faz falta, mas toda a saudade se cura em dois meses e é essa mesma saudade que é saudável! Todos os portugueses deviam sair dali, pelo menos uma vez! Os que de facto amam Portugal, mais cedo ou mais tarde voltariam. Mas voltariam com ideias novas, com mentes mais abertas, com refrescantes perspectivas.
Não sei no momento, como devem imaginar, se voltarei ou não ao meu saudoso país… Só sei que ficarei por aqui, ou, pelo menos, por fora, até ter completado a minha instrução. E não me refiro à minha instrução académica, mas à minha pessoa. Aquilo que tenho que crescer enquanto Ser-Humano. De repente consigo compreender porque Fernando Pessoa era extraordinário: para além de génio, tinha visto o Mundo fora das altas e obsoletas muralhas, que são o nosso preciozinho Portugal.